Governo federal destina R$ 200 milhões para conectar Custódia a Arcoverde no trecho da Transnordestina em Pernambuco

O governo federal deu início a uma nova fase para a ferrovia Transnordestina ao anunciar a licitação para construção de 73 km entre os municípios de Custódia e Arcoverde, em Pernambuco, com investimento estimado em R$ 200 milhões. Essa etapa faz parte do trecho mais amplo que liga Salgueiro ao Porto de Suape, e cuja obra estava interrompida desde 2016.

O empreendimento tem por objetivo ampliar a infraestrutura logística do estado e da região, facilitando o escoamento de cargas como grãos, combustíveis e minerais, e fortalecendo a conexão entre o interior pernambucano e o litoral. A expectativa é que as obras retomem no início do próximo ano.

O trecho Salgueiro–Suape, que compreende essa parte Custódia–Arcoverde, inclui 544 km no total, dos quais 179 km já foram concluídos, ou cerca de 38% da obra global. A conclusão total está estimada entre R$ 3,5 e 5 bilhões, dependendo das soluções de engenharia a serem adotadas.

Lideranças da indústria e logística estadual destacam a importância estratégica da ferrovia. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, afirmou que a retomada das obras representa uma “necessidade do setor produtivo, da sociedade e da população” e que “cada quilômetro construído aumenta a pressão para que a ferrovia chegue ao Porto de Suape”.

Especialistas em transporte e infraestrutura também reforçam que o projeto vai além de Pernambuco, podendo servir como eixo para ramais que conectem outros estados do Nordeste, como Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco (CREA‑PE), a obra poderá ligar não apenas cargas, mas também portos e modalidades logísticas.

O projeto original da Transnordestina previa 1.206 km, partindo de Eliseu Martins (PI) até Salgueiro e daí em ramais até o Porto de Pecém (CE) e o Porto de Suape (PE). No trecho sob retomada, a execução do segmento Custódia–Arcoverde estava em cerca de 37%. A bitola será de 1,60 m (larga), ainda que se discuta a adoção de bitola mista para ampliar a flexibilidade operacional.

Os próximos passos envolvem não apenas a licitação da construção, mas também o acompanhamento técnico para definir a necessidade de locomotivas auxiliares (“helpers”), direito de passagem entre trechos concedidos e o modelo de operação futuro da ferrovia. Especialistas lembram que a complexidade da obra exige constância e integração entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil para que o novo impulso não enfrente nova paralisação.

Com esse movimento, o Nordeste avança na infraestrutura de transporte ferroviário, elemento considerado vital para reduzir custos logísticos, fomentar exportações agrícolas e minerais, e promover o desenvolvimento regional. A fase que se inicia agora na Transnordestina poderá desencadear novos investimentos e dinamizar a economia de Pernambuco e estados vizinhos.

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