Com aumento da venda de importados e também dos canais de vendas diretas, o mercado interno de veículos leves mostra clara desaceleração no varejo, deixando mais distante a meta da Anfavea de crescimento de 5% este ano.
“A média diária de vendas em agosto foi de 10,7 mil unidades, o segundo mês no ano com resultado inferior ao do mesmo período de 2024, o que acende um alerta para o último quadrimestre, que precisa subir bastante para acompanhar o ritmo acelerado do segundo semestre do ano passado”, comentou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
O maior problema, segundo sua avaliação, é a Selic a 15% ao ano, com taxas para as pessoas físicas da ordem de 27,3%.
“A instabilidade pode nos machucar, mas os juros podem nos matar”, destacou o executivo nesta terça-feira, 9, lembrando que o mercado de caminhões já apresenta retração na produção e vendas internas no acumulado do ano, movimento que também começa a afetar o mercado de comerciais leves.
Nesse caso, a produção registrou queda consecutiva nos últimos dois meses, reflexo da atitude de pequenos comerciantes estarem adiando compras de vans, furgões e picapes por causa do crédito elevado.
O acumulado de emplacamentos deste ano é de 1,67 milhão de veículos, um crescimento de apenas 2,8%, ante projeção ainda vigente de expansão de 5%.
Calvet não quis falar em revisão das metas, mas admitiu que já tem uma alerta quanto à meta de 5%, deixando bem claro que o momento atual é desafiador. Lembrou que a inadimplência está em alta, chegando a 5,2% no caso da pessoa física e a 3,4%, nas jurídicas: “Não vemos cenário motivador para crescimento de longo prazo”.
O que mais preocupa no momento é a queda de 9,3% das vendas de modelos nacionais no varejo, ante crescimento de 17,3% dos importados. As vendas diretas dos carros produzidos aqui cresceram 12,4%, apenas um pouco abaixo dos 13,8% de alta dos estrangeiros.
“A situação seria ainda mais complexa não fosse o bom desempenho dos carros nacionais de entrada nos últimos dois meses, que por conta do programa Carro Sustentável tiveram vendas elevadas em 26% de 11 de julho até o final de agosto. São seis modelos de cinco marcas”, lembrou Calvet.
Também citou como positivo o crescimento dos emplacamentos de modelos eletrificados nacionais, que elevaram a participação em um ano de 15% para 25% do total de híbridos e elétricos comercializados internamente.
“É um motivo de satisfação, uma prova de que os investimentos anunciados pelo setor estão em pleno curso”.