Embora a insegurança tarifária e dúvidas sobre a economia chinesa possam influenciar decisões de negócios, mineradoras brasileiras mantêm planos para os próximos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) indicam investimentos de US$ 68,4 bilhões para o período 2025-2029, 6,6% acima do projetado para 2024-2028. Os destaques são o minério de ferro (US$ 19,6 bilhões) e minerais críticos (US$ 18,45 bilhões).
Em parte, isso ocorre porque 75% dos minerais exportados pelo Brasil ficaram de fora das tarifas americanas. Mas o setor também é beneficiado pela transição energética, que demanda minerais críticos, diz Juan Padial, sócio da KPMG. Ele avalia que a mineração no Brasil deve crescer 5% neste ano. No caso do ferro, a demanda se mantém estável.
Dos cerca de US$ 5,9 bilhões que a Vale deve investir em 2025, por exemplo, US$ 3,9 bilhões vão para soluções de minério de ferro e US$ 2 bilhões para metais para a transição energética, como cobre (taxado em 50% pelos EUA) e níquel.
Mas o apetite por investimentos, avalia Afonso Sartorio, líder de energia e recursos naturais da EY, está seletivo. “A incerteza econômica da China em relação ao setor imobiliário e às tarifas impostas pelos EUA dificulta a previsão de um cenário otimista para o minério de ferro no futuro próximo”, diz. Padial, da KPMG, reforça as incertezas especialmente em projetos com exposição ao mercado americano, o que, segundo ele, reforça a busca por mercados fora dos Estados Unidos.
“Para os próximos meses, a evolução da economia chinesa e a entrada em operação de novos projetos poderão gerar impacto no equilíbrio global da oferta”, avalia Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil. A empresa, que exporta toda a produção de minério de ferro para China, Oriente Médio, Europa e América Latina, está aportando cerca de R$ 5 bilhões em uma unidade de filtragem que evitará o lançamento de 85% do rejeito total para a barragem do seu Sistema Minas-Rio.
A empreitada, prevista para começar a operar até 2026, dará mais vida útil à barragem. O sistema Minas-Rio deve produzir de 22 milhões a 24 milhões de toneladas de minério de ferro este ano.
No primeiro semestre de 2025, segundo o Ibram, o setor mineral brasileiro faturou R$ 139,2 bilhões – 7,5% acima do mesmo período de 2024 -, dos quais 52,8% vieram do minério de ferro. A China absorveu 68,1% das 192,5 milhões de toneladas totais exportadas no período.