A Maxion, uma das principais empregadoras de Cruzeiro, demitiu 160 funcionários na última semana. As dispensas se concentraram na linha de produção de chassis, segundo confirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Binho Graciano. Ele relaciona o corte à retração nacional na comercialização de caminhões, puxada pelo custo do crédito e pelo nível elevado da taxa de juros.
“Essas demissões refletem o momento difícil do setor automotivo e atingem de forma direta a vida das famílias cruzeirenses”, afirmou Graciano.
O que aconteceu?
160 dispensas confirmadas na planta de Cruzeiro, com foco na linha de chassis.
Impacto associado à queda de pedidos das montadoras de caminhões, o que reduz o ritmo nas fornecedoras de componentes.
Segundo o sindicato, aposentados e trabalhadores próximos da aposentadoria buscaram o desligamento e entraram no pacote de demitidos.
Contexto do setor
A demanda por caminhões arrefeceu ao longo do ano, pressionada por:
Juros altos, que encarecem o financiamento de veículos pesados e freiam a renovação de frotas;
Cautela de transportadoras e embarcadores diante do custo do capital;
Efeitos de estoques ajustados nas montadoras e fornecedores.
A Maxion, que fornece componentes e chassis para montadoras do segmento, sente o efeito imediato quando as montadoras diminuem o ritmo de produção.
Reunião e próximos passos
Representantes do sindicato e diretores da empresa se reuniram para avaliar os impactos e monitorar o cenário. Ficou acordado que, em caso de novas dispensas, as partes voltarão à mesa para discutir alternativas que minimizem efeitos sociais e econômicos na cidade.
“Vamos acompanhar semana a semana. Se houver necessidade de novas medidas, queremos discutir antes, buscando saídas que preservem emprego e renda”, disse Graciano.
Efeito em cadeia na economia local
O comércio e o setor de serviços de Cruzeiro acenderam o alerta. A perda de postos de trabalho reduz o poder de consumo e tende a pressionar a atividade na região. Por ora, segundo o sindicato, demais indústrias metalúrgicas do município mantêm seus quadros sem alterações.
Números e capacidade instalada
— A fábrica de Cruzeiro emprega milhares de trabalhadores e é estratégica no fornecimento de componentes e chassis para o mercado de veículos comerciais. De acordo com informações repassadas ao sindicato, a unidade chegou a registrar cerca de 4.890 vínculos diretos, número que ajuda a dimensionar o peso da operação para a economia local.