Mercado de caminhões acelera com alta nas vendas e expansão das montadoras

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O mercado brasileiro de caminhões dá sinais consistentes de recuperação e anima as montadoras às vésperas de 2026. De acordo com dados da Fenabrave, outubro fechou com 10.462 unidades vendidas, alta de 9% sobre setembro, enquanto o segmento de ônibus somou 2.419 emplacamentos, avanço de 4,4%. A liderança entre os pesados ficou com a Mercedes-Benz, que registrou 2.992 unidades, seguida por Volkswagen (2.721), Volvo (2.149), Scania (1.078) e Iveco (797).

Entre os modelos mais vendidos do mês, o Volvo FH 540 se destacou com 635 unidades, seguido do FH 460 (428), DAF XF 530 (260), Volvo VM 360 (326) e Scania R460 (219). O desempenho reforça a retomada gradual do setor, que passou por um 2024 de ajustes e agora mira um cenário mais estável para o próximo ano.

Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de marketing, vendas e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), 2025 deve encerrar com cerca de 110 mil caminhões comercializados no país — queda de 8% em relação a 2024, mas com retomada no segundo semestre. “Esse viés de alta é importante para 2026, que deve ter um mercado maior, com crescimento estável e sustentável”, avaliou o executivo durante o Congresso Perspectivas e Tendências 2026, promovido pela AutoData.

Alouche pondera, porém, que o setor ainda enfrenta desafios macroeconômicos, como os juros elevados e o calendário de 2026, que incluirá eleições presidenciais e a Copa do Mundo, fatores que podem reduzir dias úteis de vendas. A expectativa é que a taxa Selic recue para 12% apenas no fim do ano, o que deve destravar uma demanda reprimida por renovação de frotas. “Quando os juros caírem, o crescimento será bastante intenso. A idade média das frotas está em nove anos, mas já foi inferior a seis”, observou.

A VWCO também aposta no fortalecimento de suas operações na América do Sul. A montadora acaba de lançar no Chile sua nova linha de caminhões Euro 6, com o maior pacote de novidades já promovido pela marca na região. O portfólio inclui os novos Constellation 18.260 e 18.320, que substituem o tradicional 17.280, oferecendo mais potência, torque e eficiência — até 10% superior à geração anterior. Com isso, o Chile se consolida como o terceiro maior mercado da VWCO, atrás apenas do Brasil e da Argentina.

Enquanto isso, a Mercedes-Benz celebra um salto de 50% nas exportações de chassis de ônibus em 2025, consolidando o Brasil como o maior polo exportador da Daimler Buses na América Latina. Até setembro, a empresa embarcou 4.440 unidades, ante 2.963 no mesmo período do ano anterior. Argentina, Chile e Peru lideraram as compras, com altas de 95%, 33% e 56%, respectivamente.

O destaque fica para o modelo rodoviário O 500, apelidado de “El más potente”, desenvolvido especialmente para atender às condições severas de operação em países andinos, com grandes variações de altitude e temperatura. Com motores de até 480 cv e versões 4×2 e 6×2, o modelo se consolidou nas rotas de turismo e mineração, totalizando 1.901 unidades exportadas desde o lançamento, sendo 860 apenas neste ano.

No transporte e logística, a Rodonaves também celebra bons ventos. A empresa completa 45 anos em 2025 com faturamento de R$ 2,6 bilhões, avanço de 9,5% sobre 2024, impulsionada por investimentos em inovação, digitalização e sustentabilidade. O grupo opera 427 unidades em todo o país, com 84 mil coletas e entregas diárias, e segue expandindo seus Centros de Transferência de Cargas em Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO).

Com resultados positivos e novas apostas tecnológicas, o mercado de transporte de cargas e passageiros avança em direção a um novo ciclo de modernização. Montadoras e empresas do setor enxergam um 2026 de recuperação gradual, com foco em eficiência, conectividade e sustentabilidade — ingredientes que devem redefinir a próxima fase da mobilidade sobre rodas no Brasil e na América do Sul.

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