
O setor de mineração no Brasil atravessa um momento de inflexão. Depois de décadas marcado por estigmas históricos e consequências sociais e ambientais profundas — muitas delas originadas ainda no período colonial, especialmente em Minas Gerais —, o segmento começa a enxergar seu futuro de maneira mais clara, identificando não apenas seus desafios, mas também oportunidades que podem remodelar a atividade.
A mineração brasileira convive há muito tempo com a percepção negativa deixada por um processo que, apesar de gerar riqueza, nem sempre promoveu desenvolvimento regional de forma ampla. Nos últimos anos, porém, a crescente conscientização social e os desastres de Mariana e Brumadinho ampliaram o debate público sobre os impactos ambientais e a necessidade de tornar o setor mais seguro, transparente e sustentável.
Ainda assim, é fundamental reconhecer a relevância econômica da mineração. Em Minas Gerais, ela permanece como a principal atividade produtiva e segue fortemente conectada à história, à ocupação territorial e à formação da economia regional. Compreender essa dualidade — entre responsabilidade e importância econômica — é essencial para projetar o futuro do setor.
Foi sobre esse futuro que o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, falou durante o Congresso Brasileiro de Mineração, realizado este ano na Bahia. Segundo ele, o setor hoje tem maior consciência de seus desafios, mas também enxerga com mais nitidez as oportunidades que surgem diante de um cenário global em transformação. No caso da Vale, a meta imediata é recuperar, já no próximo ano, a posição de maior produtora mundial de minério de ferro, dentro de um modelo de negócios que promete ser “legal, responsável e gerador de impacto líquido positivo nos campos social, ambiental e econômico”.
Pimenta descreveu uma mineração mais eficiente e moderna, que busca eliminar a geração de estéreis e rejeitos, reduzindo o uso de terra e água a partir de processos totalmente circulares que reaproveitem todos os materiais envolvidos. Trata-se de um futuro muito diferente daquele moldado pela antiga máxima de que “minério não dá duas safras”. Segundo o executivo, essa realidade pode, sim, ser superada — desde que haja compreensão profunda dos desafios atuais e disposição para transformar a atividade.
Apesar do foco no futuro, o presidente da Vale destacou implicitamente a importância de não perder de vista as origens da empresa, profundamente enraizadas em Minas Gerais. Essa conexão histórica, segundo ele, não pode ser relegada diante das mudanças que estão sendo desenhadas para as próximas décadas.