A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou hoje a 31ª reunião do Conselho Temático de Mineração (COMIN), em formato presencial e virtual. A pauta incluiu licenciamento ambiental, legislação mineral, segurança no setor e iniciativas setoriais.
Um dos destaques foi a discussão sobre a corrida global por terras raras, elementos essenciais para tecnologias de ponta e para a transição energética. A apresentação, conduzida pelo conselheiro Luiz Antônio Vessani, presidente da empresa de desenvolvimento em mineração Edem, ressaltou a predominância da China nesse mercado: o país controla cerca de 60% da produção mineral de terras raras, 87% do processamento, 91% da produção de metal, 94% da fabricação de ímãs e 99% da capacidade de reciclagem.
“O protagonismo é resultado de um trabalho planejado ao longo de décadas, em que o país utilizou energias alternativas para estruturar toda a cadeia produtiva, com impactos diretos também na agenda climática”, avaliou Vessani.
Brasil tem grandes reservas mas precisa desenvolver a cadeia
O Brasil, por sua vez, tem um enorme potencial mineral ainda em desenvolvimento. No entanto, para se inserir de forma competitiva nesse mercado, é necessário ir além da extração: o país precisa avançar em etapas de separação, processamento e transformação, construindo uma cadeia produtiva completa que traga valor agregado, empregos e inovação.
Isso exige investimentos em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento industrial, mas também medidas urgentes para reduzir a burocracia e dar mais celeridade ao licenciamento ambiental que é atualmente um dos grandes entraves ao setor.
Outro desafio apontado é a insegurança jurídica que hoje aumenta custos e afasta investidores estratégicos, comprometendo a competitividade nacional. Para a CNI, garantir previsibilidade regulatória é essencial para atrair capital de longo prazo e viabilizar a mineração de terras raras como vetor de desenvolvimento econômico.
“O momento é propício para transformar o potencial geológico brasileiro em políticas reais, que permitam não apenas exportar minério, mas também desenvolver indústria de ponta e ampliar a participação do Brasil na economia verde”, afirma o presidente do Conselho, Sandro Mabel.