Minerais críticos: NE extrai R$ 11 bi e lidera em vanádio, urânio e tungstênio

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Minerais estratégicos como vanádio, urânio, tungstênio e titânio tiveram sua produção concentrada no Nordeste e em áreas do Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo em 2024, segundo relatório do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), ligado ao Banco do Nordeste. A região respondeu por R$ 10,97 bilhões em produção mineral no ano — 4,6% do total nacional — e concentrou 100% da produção brasileira de vanádio, molibdênio e urânio.

A Bahia liderou a produção mineral crítica no Nordeste, com 72,8% do valor regional. Ouro, cobre e níquel representaram juntos mais de 80% da produção baiana. Já o potássio, essencial para a agricultura, teve 99% de sua produção nacional realizada em Sergipe, com destaque para a mina de Taquari-Vassouras, localizada no município de Rosário do Catete.

Segundo o pesquisador do Etene, Francisco Diniz, os investimentos realizados nos últimos anos podem viabilizar a descoberta de novos jazimentos e consolidar a região como polo de referência na mineração estratégica. “Grande parte das jazidas está no Semiárido, região que reúne condições favoráveis para atrair investimentos nessa indústria mineral, gerando oportunidades de negócios, emprego e renda. Para um melhor aproveitamento desse potencial, é importante também investir em desenvolvimento tecnológico, visando a agregação de valor aos bens minerais”, afirma.

Pesquisa e lavra concentram aportes na Bahia e em Minas

Entre 2019 e 2023, os investimentos em pesquisa mineral na área de atuação do Banco do Nordeste somaram R$ 1,81 bilhão, o que representa 39,6% do total nacional. A Bahia concentrou 55,1% desse montante e o Norte de Minas Gerais, 20,8%. Os minerais com mais aportes foram ferro, ouro, lítio e cobre, que absorveram 79,4% do total investido.

Em 2023, os investimentos em lavra na região alcançaram R$ 3,29 bilhões, correspondendo a 13,4% do total nacional. Desse volume, 63,1% foram aplicados na Bahia, o que reforça a liderança do estado também na fase produtiva da mineração.

Autorização para lavra avança no Semiárido e Jequitinhonha

Até agosto de 2025, a área de atuação do Banco do Nordeste contava com 406 concessões de lavra ativas, distribuídas entre 194 empresas, além de 25.037 alvarás de pesquisa válidos, pertencentes a 5.410 empresas. Todos os estados da região registraram algum tipo de outorga para minerais estratégicos.

A maior concentração de autorizações ocorre no Semiárido nordestino e no Vale do Jequitinhonha, indicando o potencial ainda em expansão para descobertas de novas jazidas. O levantamento do Etene reforça que a estrutura geológica dessas áreas continua atraindo investimentos exploratórios.

Classificação oficial define grupos de minerais estratégicos

O estudo adota a classificação oficial do governo federal para os minerais estratégicos, dividindo-os em três grupos. O Grupo I inclui aqueles com alta dependência externa: potássio, fosfato, enxofre e molibdênio. Já o Grupo II reúne os minerais críticos para setores como energia, mobilidade elétrica e tecnologia da informação: lítio, níquel, cobalto, titânio, tungstênio, vanádio, grafita e terras raras.

O Grupo III abrange minerais em que o Brasil apresenta vantagem comparativa: ferro, ouro, alumínio, manganês, cobre, nióbio e urânio. Parte desses minerais está presente em mais de um grupo, conforme o uso e a criticidade estratégica.

Terras raras concentram pesquisa, mas ainda não têm produção

As terras raras, essenciais para tecnologias como turbinas eólicas, veículos elétricos e sistemas de defesa, ainda não têm produção registrada no Nordeste. No entanto, a região respondeu por 65,1% dos investimentos nacionais em pesquisa mineral nesse segmento entre 2019 e 2023, totalizando R$ 35,99 milhões, aplicados quase integralmente na Bahia.

Em 2024, o Brasil teve um déficit comercial de US$ 6,39 milhões nas exportações e importações de terras raras. A cadeia de refino global segue amplamente concentrada na China, que domina mais de 90% da capacidade instalada mundial para beneficiamento desses minerais.

Superávit comercial concentra-se em ferro e cobre

O setor mineral brasileiro obteve superávit de US$ 31,9 bilhões em 2024. A Indústria Extrativa Mineral respondeu por US$ 34,14 bilhões, enquanto a Indústria de Transformação Mineral apresentou déficit de US$ 2,21 bilhões.

Entre os principais produtos exportados estão o ferro (US$ 31,5 bilhões) e o cobre (US$ 4,2 bilhões). Por outro lado, os maiores déficits foram observados em potássio (–US$ 3,87 bilhões), fosfato (–US$ 5,73 bilhões), além de lítio, titânio e silício.

Balança revela fragilidade em insumos de maior valor agregado

Na divisão por grupos estratégicos, o Grupo I registrou déficit de US$ 10,26 bilhões, o Grupo II, –US$ 412,7 milhões, enquanto o conjunto Grupo II/III (cobre, grafita, nióbio, urânio) teve superávit de US$ 4,25 bilhões. O Grupo III isoladamente respondeu por US$ 38,35 bilhões de saldo positivo.

O Etene ressalta que o padrão comercial do setor ainda reflete a baixa agregação de valor na produção nacional. O Brasil exporta majoritariamente produtos de média-baixa intensidade tecnológica, enquanto importa compostos químicos e fertilizantes processados, com maior valor unitário.

Projeções indicam aumento na demanda global por minerais críticos

A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que, até 2040, a demanda global por minerais críticos crescerá significativamente. As projeções indicam aumento de 370% para lítio, 120% para grafita, 70% para níquel, 50% para cobalto e 30% para cobre.

Diante desse cenário, o Nordeste e o Norte de Minas estão posicionados como regiões estratégicas para inserção nas cadeias globais. Jazidas relevantes de lítio, grafita, ouro e vanádio já foram mapeadas principalmente na Bahia e no Vale do Jequitinhonha.

Projeto Santa Quitéria prevê produção de fertilizantes e urânio

O Projeto Santa Quitéria, no Ceará, está em fase de licenciamento ambiental e prevê investimentos de R$ 2,3 bilhões para extração de fosfato e urânio na jazida de Itataia. O início da operação está previsto para 2029.

A unidade deverá produzir anualmente 1 milhão de toneladas de fertilizantes, 220 mil toneladas de fosfato bicálcico e 2,3 mil toneladas de concentrado de urânio. O empreendimento é considerado estratégico tanto para o setor agrícola quanto para o abastecimento energético.

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