As exportações de Alagoas cresceram 262,7% em agosto de 2025, movimentando US$ 25,1 milhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O desempenho foi puxado, principalmente, pelas vendas de minério de cobre, quase totalmente destinadas à Suíça, que concentrou 95,6% da pauta exportadora do estado no mês. O crescimento, no entanto, contrasta com a retração nas exportações para os Estados Unidos, que caíram 45,5% no período de vigência das sobretaxas comerciais impostas pelo governo americano ao Brasil.
No total, Alagoas exportou US$ 25,1 milhões em agosto e importou US$ 100,9 milhões, resultando em um déficit comercial de US$ 75,8 milhões no mês. A corrente de comércio atingiu US$ 126 milhões, com alta de 75,4% na comparação anual.
No acumulado de janeiro a agosto, o estado exportou US$ 561,9 milhões, o que representa uma queda de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações totalizaram US$ 679,4 milhões no período, com crescimento de 28,4%. O saldo da balança ficou negativo em US$ 117,4 milhões.
Em agosto, os minérios de cobre e seus concentrados representaram 95,6% das exportações de Alagoas, segundo o MDIC. Além do cobre, a pauta exportadora incluiu produtos com participações modestas, como materiais de construção de argila (1,1%), sucos de frutas ou vegetais (0,6%), frutas processadas (0,6%) e couros em bruto (0,4%).
Dados apontam diversificação de parceiros comerciais nas exportações
Os Estados Unidos foram destino de apenas US$ 115,2 mil das exportações alagoanas em agosto, o equivalente a 0,5% do total. Em comparação com o mesmo mês de 2024, o volume representa uma queda de 45,5%, com redução absoluta de US$ 96,1 mil. A retração coincide com o início da aplicação das sobretaxas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que afetaram a competitividade dos produtos brasileiros naquele mercado.
É importante destacar que o principal produto exportado por Alagoas para os Estados Unidos é o açúcar, item que, apesar de representar a maior parte das exportações alagoanas no acumulado do ano, teve desempenho residual em agosto, mês dominado pelas vendas de minério de cobre à Suíça.
Embora agosto tenha sido marcado pela forte concentração nas exportações para a Suíça, os dados do acumulado do ano mostram um cenário mais diversificado. Canadá, China e Argélia lideram a lista dos principais destinos das mercadorias alagoanas, com participações de 18%, 14,7% e 11,9%, respectivamente. Os Estados Unidos aparecem com 9,2%, seguidos por Geórgia (7,1%), Espanha e Croácia (5,2% cada), Índia (4%), Mauritânia (3,8%), Singapura (3,2%), Suíça (4,3%) e Reino Unido (1,6%).
No acumulado de 2025, os açúcares e melaços seguem como principais produtos exportados por Alagoas, com 74,4% de participação na pauta. Os minérios de cobre ocupam a segunda posição, com 22,1%, seguidos por tabaco em bruto (1%). Os demais produtos aparecem com participações inferiores a 1%.
Para a gerente do Centro Internacional de Negócios, da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA), Dielze Mello, os números resultantes das exportações alagoanas demonstram diversificação, com a entrada da Suíça, país que não estava anteriormente relacionado aos parceiros comerciais do estado.
“Como estamos numa fase de pouca exportação de açúcar, houve uma queda das exportações para os Estados Unidos, mas que não é reflexo ainda das tarifas impostas ao Brasil. China e Canadá seguem como parceiros comerciais de Alagoas, países que enviamos produtos praticamente todos os meses”, analisou.
Importações puxadas por insumos industriais e agrícolas
As importações alagoanas em agosto foram lideradas por produtos da indústria de transformação e do agronegócio. Entre os itens mais representativos estão os óleos combustíveis de petróleo (5,4%), hidrocarbonetos derivados (5,3%), suprimentos de papelaria (4,9%), polímeros de etileno (4,2%) e gorduras vegetais refinadas (4,0%). Também foram registradas importações relevantes de equipamentos de telecomunicação (3,5%), malas e bolsas (3,5%), coques e semi-coques (3,0%) e produtos residuais de petróleo (2,9%), além de artigos de plástico, vestuário, luminárias, bebidas alcoólicas e materiais impressos, todos com participações abaixo de 2%.
No acumulado de janeiro a agosto, os fertilizantes químicos (5,0%) lideram a pauta de importações, seguidos por equipamentos de telecomunicações (4,8%), malas e artefatos de viagem (3,9%), produtos residuais de petróleo (3,0%), polímeros de etileno (2,6%) e gorduras vegetais refinadas (3,0%). Máquinas elétricas, luminárias, equipamentos domésticos e artigos manufaturados diversos também aparecem com representatividade. Entre os itens agrícolas, destacam-se o pescado (1,4%), os produtos hortícolas frescos (1,3%) e as frutas secas (0,8%).