Movimentação de granéis sólidos leva à expansão de terminais e de encomendas de equipamentos

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O crescimento da produção e da exportação de granéis sólidos, minérios e grãos, tem impulsionado a movimentação portuária no Brasil e levado os portos brasileiros a baterem recordes. No primeiro semestre de 2025, o movimento total de cargas que passaram pelos terminais brasileiros atingiu 653,7 milhões de toneladas, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Entre os três produtos mais movimentados, destacou-se o minério de ferro, o primeiro da lista, com 190,5 milhões de toneladas de cargas e crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em terceiro, apareceu a soja, com 93 milhões movimentados, 5,2%. Entre eles, ficou o óleo bruto de petróleo, com 104,1 milhões toneladas de cargas e acréscimo de 62%.

A perspectiva, com base no aumento da produção de granéis sólidos projetada até o fim de 2025 e de 2026 é de que os números superem os do ano passado, quando os granéis sólidos movimentaram 788,5 milhões de toneladas de cargas. Em grãos, a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento é de colheita de 353,8 milhões de toneladas, o que representaria aumento de 1% em relação ao registrado no mesmo período de 2024.

Novamente, a soja, principal produto cultivado no Brasil, projeta a Conab, será o destaque, com 177,67 milhões de toneladas, 3,6% a mais que as 171,47 milhões de toneladas do ciclo 2024/25. No caso do milho, o volume colhido também será expressivo, de 138,3 milhões de toneladas, enquanto para o feijão a previsão é de 3,1 milhões de toneladas.

No segmento de minérios, também foi registrada alta na exportação. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), no primeiro semestre de 2025 foram exportadas 192,5 milhões de toneladas de minérios, com crescimento de 3,7% em relação ao vendido ao mercado exterior no mesmo período de 2024. O minério de ferro respondeu por 63% desse montante, o equivalente a 121,2 milhões de toneladas. Já a importação de minérios movimentou 19,9 milhões de toneladas e teve queda de 2,2% em comparação com os seis primeiros do ano passado.

O relatório divulgado pelo Ibram com os resultados do primeiro semestre do mercado de minérios indica otimismo com a possibilidade de ampliação da produção. Segundo o documento, a previsão é de que até 2029 os investimentos no setor no Brasil atinjam 68,4 bilhões de dólares. Esse número é 6,6% superior à estimativa divulgada anteriormente e que abrangia o período até 2028.

O crescimento continuado da produção de granéis sólidos (grãos e minérios) tem incentivado administrações portuárias a investirem em ampliação e modernizações dos terminais especializados na movimentação de seus produtos. Um exemplo vem do Porto Sudeste, terminal privado e um dos que operam no Complexo Portuário de Itaguaí, na Baía de Sepetiba, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro.

Segundo dados da empresa, a movimentação de minério de ferro no terminal cresceu das 17 milhões de toneladas em 2022 para 26 milhões de toneladas em 2024, mesmo volume registrado em 2023. Para 2025, a previsão é de fechar o ano com 30 milhões de toneladas transportadas. Se confirmado, o número representará acréscimo de quase 80% em relação ao total movimentado três anos antes.

A importância do minério de ferro para o terminal foi ratificada em agosto, mês em que o início das operações do Porto Sudeste completou 10 anos. No período, foi registrado o maior volume mensal embarcado do produto: 3,3 milhões de toneladas. No mês, foi atingida também a marca máxima de 12 trens descarregados em um dia, com mais de 177 mil toneladas de minério de ferro. O recorde mensal anterior, de 2,95 milhões de toneladas, fora alcançado em agosto de 2020.

O terminal fluminense é especializado na movimentação de granéis, sólidos e líquidos, e tem como principais produtos movimentados, além do minério, grãos e petróleo, segmentos que registram aumento constante de volume. E, como a expectativa é de que essa tendência seja mantida nos próximos anos, a empresa já iniciou projeto de ampliação da capacidade de movimentação.

Ulisses Oliveira, diretor de Relações Corporativas e de Sustentabilidade do Porto Sudeste, mesmo sem revelar valores em investimentos, informa que, para atender ao aumento previsto de demanda, o projeto é construir mais dois berços de atracação. O primeiro tem previsão de iniciar as operações em 2026. O segundo, explica ele, ainda não tem data prevista. “O porto vai dobrar sua capacidade atual de movimentação, de 50 milhões de toneladas por ano para 100 milhões de toneladas por ano”, diz Oliveira.

No Paraná, nos portos de Paranaguá e de Antonina o momento é de expansão para atender ao aumento da movimentação de cargas. Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, empresa que administra os terminais paranaenses, informa que os investimentos em infraestrutura estão sendo feitos por meio de concessões de áreas arrendáveis, denominadas PAR. “As concessões destinadas à iniciativa privada são o principal pilar da nossa expansão. Os leilões são realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3)”, explica.

Ele conta que os três mais recentes, em abril, registraram recorde de pagamento de outorgas, somando R$ 855 milhões. Além disso, informa que as empresas vencedoras terão que investir R$ 2,2 bilhões nos próximos cinco anos, dos quais a metade, R$ 1,1 bilhão, será destinada à construção de novos berços de atracação na primeira fase do píer em “T”. “Mais R$ 1 bilhão serão injetados pelo governo do estado do Paraná para outros dois berços”, diz Garcia.

Em Paranaguá, o foco será melhorar a estrutura para desembarque de grãos e farelos. O projeto prevê o uso de equipamentos de alta performance capazes de quase triplicar a velocidade média de carregamento dos navios e passar de três mil para oito mil toneladas movimentadas por hora.

Garcia diz ainda que as concessionárias que assumirem os serviços farão investimentos específicos de acordo com suas áreas de atuação. Ele informa que, num dos casos, a arrendatária investirá R$ 529,18 milhões em sua estruturação para as operações. Em outra concessão, os investimentos serão de R$ 293,17 milhões e, num terceiro, o contrato prevê aportes de R$ 233,49 milhões.

Segundo ele, outro grande investimento da Portos do Paraná é no Moegão, que, diz, é a maior obra portuária em execução no país para dinamizar o recebimento de cargas pelo modal ferroviário no Porto de Paranaguá. “São mais de R$ 650 milhões investidos. Grande parte desse valor será gasto em equipamentos, como as esteiras transportadoras elaboradas exclusivamente para atender às necessidades do projeto”, afirmou.

Ele explica que as esteiras estão instaladas em galerias, cada uma delas com três dos equipamentos com capacidade para transportar até duas mil toneladas por hora de grãos. “Ao todo, 1,7 quilômetro de galerias transportadoras estão sendo implantadas. As galerias e as esteiras são só um exemplo. Há vários outros equipamentos que estão sendo implantados”, informa o diretor-presidente da Portos do Paraná, explicando que a obra será concluída em dezembro de 2025 e que o complexo entrará em operação no início do próximo ano.

Garcia explica ainda que outros dois píeres, o “F” e o “L”, receberão investimentos de R$ 570 milhões e R$ 290 milhões, respectivamente, viabilizados por outras duas concessões. Ele anuncia que em breve a Portos do Paraná iniciará as obras do terminal de passageiros, com aportes previstos de R$ 70 milhões. “A abertura da licitação já foi aprovada”, diz.

O aumento da movimentação de grãos motivou o Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), um dos operadores do Terminal de Grãos (Tegram) no Porto de Itaqui, no Maranhão, e que também opera o CLI Sul, no Porto de Santos (SP), a desenvolver um plano de investimentos de R$ 565 milhões até 2028 para ampliar sua capacidade de movimentação de cargas, com foco também no açúcar a granel, e na redução das emissões de poluentes em suas atividades.

O projeto faz parte do programa de modernização da empresa e inclui a troca de equipamentos, as instalações de outros com maior capacidade de movimentação e modernização da infraestrutura dos terminais. A expectativa é aumentar a movimentação das atuais 15 milhões de toneladas por ano para 20 milhões de toneladas anuais somente em Santos.

No terminal paulista, será instalado um novo carregador de navio com capacidade para movimentar 2,5 toneladas por hora, equipado com tecnologia Dust Hazard Suppressor (DHC), que permite recolher a poeira produzida no carregamento de navios, reduzindo o desperdício de grãos e a poluição. O equipamento está sendo fabricado pela empresa TMSA, no Rio Grande do Sul, e tem instalação prevista para março de 2026.

Cristiane Lunardi, diretora executiva de Tecnologia da Informação (TI) e de Engenharia da CLI, contou que o novo equipamento é projetado para movimentar tanto soja e milho como açúcar. Segundo Cristiane, ele foi desenvolvido com tecnologia específica para carregamento de açúcar, considerado mais complexo e, além de aumentar a produtividade, recolhendo e reintroduzindo grãos que seriam desperdiçados e evitando a dispersão da poeira gerada no embarque, também reduzirá a poluição sonora, pois será equipado com supressor de pó que reduz os ruídos. “Esses investimentos fazem parte do compromisso ESG da CLI e também melhoram sua eficiência operacional”, disse.

O gerente-executivo de projetos da empresa, Marcelo Zucon, acrescentou que a troca do carregador de navios foi um decisão que visa a modernização e reduzir a emissão de poluentes e não motivada por problemas com o que é usado atualmente. Segundo Zucon, o equipamento, fabricado na década de 1990, ainda poderia ser utilizado por alguns anos, mas sem a mesma eficiência do que será instalado e sem a vantagem de reduzir a dispersão de poeira.

Zucon anunciou que, também para melhorar a produtividade e reduzir a poluição e a emissão de gases, além de aumentar a segurança dos operadores, as correias transportadoras que são usadas atualmente para levar os grãos até os abastecedores dos navios, que são abertas, serão trocadas por modelos semienclausurados. O gerente explicou que uma das principais vantagens das novas correias será eliminar a exposição de partes móveis e do produto, com sistema de filtros automatizados que aspiram o pó gerado.

As obras civis para a instalação dos equipamentos foram iniciadas em setembro. O programa de modernização anunciado pelo grupo inclui ainda o Centro de Controle Operacional e Apoio e a instalação de câmeras com reconhecimento facial para monitorar todos os acessos à área alfandegada do terminal. Esse centro, detalhou a diretora de TI da CLI, será equipado com um painel operacional inteligente, com indicadores em tempo real e imagens para garantir mais segurança.

Além disso, o programa prevê a realização de obras para ampliar o parque de moegas, que passará a ter quatro pontos de abastecimento, e um novo armazém de açúcar a granel, com previsão para operar a partir de 2027. Nos dois casos, estão sendo feitos estudos do cronograma ideal para realizar as obras sem afetar a movimentação de cargas.

De acordo com Cristiane Lunardi, o planejamento para todas as obras previstas precisa ser feito com cuidado porque o CLI Sul opera 24 horas por dia em todos os dias do ano, e para as obras será preciso parar o terminal. “O terminal é dinâmico e sua paralisação depende de acordo com os clientes”, disse Cristiane, que citou os períodos de entressafra como propícios para as intervenções.

O aumento da movimentação de grãos sólidos e os projetos de ampliação e modernização de terminais portuários tem reflexos nas empresas da cadeia produtiva de equipamentos especializados para a atividade. Uma delas é Terminal Full Dealer (TFD), que trabalha com fornecimento de equipamentos pesados, inclusive importados, para portos, atividades de mineração e para a indústria.

Guilherme Gomes, gerente de vendas da companhia, informa que em 2025 50% dos negócios fechados foram para atender pedidos de terminais que operam granéis sólidos, principalmente soja, milho, minério de ferro e fertilizantes. E, segundo ele, as perspectivas para os próximos anos são consideradas boas, já que, além da ampliação da movimentação, boa parte dos equipamentos instalado está chegando ao limite de sua vida útil e precisará ser renovada.

Ele explica ainda que é crescente a demanda para operação 100% elétrica nos terminais portuários. Gomes prevê que esse será um segmento em que a venda de produtos deve aumentar e cita os grupos geradores híbridos que a empresa fornece como um dos que têm potencial de ampliar participação nos portos brasileiros.

Também a Kepler Weber está otimista com a possibilidade de incremento de vendas para o sistema portuário. A empresa, que fornece equipamentos e infraestrutura para o armazenamento, movimentação e acondicionamento de grãos, fechou o ano de 2024 com faturamento de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 113,4 foram relativos a vendas para terminais portuários. Esse montante representou crescimento de 19,9% em relação às vendas para o setor em 2023.

Rodrigo Anselmo, gerente comercial da Kepler Weber, informa que a empresa fornece equipamento para 88% de todos os terminais que operam no Porto de Santos e que foram entregues pela empresa 60% de todos os que são usados atualmente no complexo portuário paulista.

Segundo ele, cada um dos terminais que movimenta granéis em Santos tem projetos de ampliação para atender ao aumento da produção e das vendas brasileiras para o exterior. Anselmo diz que a principal demanda é por equipamentos que aumentem a velocidade de movimentação dos produtos, da recepção ao carregamento dos navios. “Todo o ciclo de movimentação de recepção, armazenamento e expedição do grão precisa ser rápido”, explica.

O gerente da Kepler Weber cita como exemplo entre os equipamentos mais procurados as esteiras transportadoras que levam os produtos até os carregadores dos navios. Segundo ele, além do aumento da eficiência e da velocidade de carregamento, os terminais demandam equipamentos mais eficientes também na redução de perdas e de emissão de gases do efeito estufa e explica que as esteiras semienclausuradas que a empresa fornece estão entre as mais pedidas.

Segundo ele, a linha de montagem dos equipamentos foi projetada para atender a praticamente todas as necessidades do clientes. Anselmo explica que as esteiras são 80% padronizadas, mas podem ser customizadas de acordo com o interesse de cada terminal e com as características dos produtos a serem transportados.

Anselmo garante que esse tipo de esteira tem a vantagem ainda de poder ser instalada em áreas portuárias próximas a residências e centros comerciais porque não há dispersão de grãos ou de pó que poderiam atingir a vizinhança. “Isso é um diferencial para Santos, onde os terminais estão em área urbana de grande densidade populacional e comercial”, avalia.

Ele relata que a empresa fornece também para terminais do Arco Norte e no transbordo no Centro-Oeste e que, diante do aumento da produção e da movimentação de grãos, tem crescido também a demanda por silos para armazenagem e para carregadores de navios produzidos pela Kepler Weber. Ele diz que isso é reflexo também do aumento da eficiência do transporte dos grãos das áreas produtoras até os terminais, graças à integração de modais, como a hidrovia e a ferrovia.

O gerente informa ainda que, como a previsão é de crescimento na movimentação de grãos, já está em andamento o planejamento para os próximos cinco anos e prevê mais ações para melhorar as condições de armazenamento dos grãos desde a pós-colheita, ainda na área de produção, até o porto. “Hoje, há déficit de armazenamento”, explica, prevendo que esse será um segmento em que crescerá a demanda por infraestrutura.

Outra empresa fornecedora de equipamento e serviços para portos e terminais que já planeja o aumento de suas atividades é a Rimac. A expectativa da companhia é de crescimento de pelo menos 20% em seus negócios em 2026, segundo o diretor comercial Marcelo Vieira. “A gente vê grande movimento no Arco Norte. E vai haver investimentos também em Paranaguá”, explica ele.

Vieira explica que a Rimac trabalha com linha variada de produtos para movimentação portuária, inclusive fabricados fora do Brasil, e, como oferece também assistência técnica, já está ampliando suas equipes e qualificando mão de obra para atender a crescente demanda pelos equipamentos. E conta que isso tem importância porque os produtos fornecidos não são totalmente padronizados, mas customizados de acordo com a necessidade de cada terminal.

Ele explica que, por causa da diversidade dos equipamentos que a empresa fornece, os prazos de entrega são também variados, que podem ser de três meses a 14 meses, no caso de um carregador de navio, uma estrutura de 300 a 500 toneladas e que pode custar em torno de seis milhões de dólares. Mas garante que, como trabalha com grandes fabricantes, tem condições de atender ao aumento da procura.

E a expectativa é de crescimento nos próximos anos. Vieira avalia que nem as recentes disputas no comércio internacional e imposição pelos Estados Unidos de sobretaxas de importação sobre produtos brasileiros pode mudar essa tendência. Otimista, ele diz que a capacidade de produção do Brasil vai superar isso. “Como nosso agro é competitivo, acho que é pouco provável que afete a movimentação de grãos”, afirma.

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