Movimentos sociais estão pressionando deputados pela abertura da CPI da Mineração. A Aliança da Volta Grande do Xingu, que reúne organizações ambientais, indígenas e de direitos humanos, entregou uma carta a parlamentares para que assinem o requerimento protocolado por Duda Salabert (PDT-MG), que precisa de 171 adesões para avançar.
A manifestação acontece dias depois da Operação Rejeito, que levou à prisão do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de um dirigente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), além de outros 20 investigados. A investigação revelou um esquema de corrupção em Minas Gerais que movimentou bilhões de reais e escancarou a fragilidade do sistema de licenciamento ambiental no país.
O documento relaciona o esquema descortinado pela operação ao risco de repetição das tragédias de Mariana e Brumadinho. Para a Aliança, tais episódios não devem ser tratados como acidentes, mas como “crimes anunciados”, frutos da captura do Estado por interesses privados e da negligência de órgãos públicos.
A carta cita como exemplo o projeto da canadense Belo Sun Mining, que pretende erguer a maior mina de ouro a céu aberto do país no Pará. A empresa foi acusada de supostas fraudes fundiárias em assentamentos federais, por práticas de intimidação contra moradores locais.
Diz o texto:
“Às vésperas da COP30, o Brasil não pode insistir em uma governança mineral marcada pela corrupção e pela impunidade. A instalação da CPI é também um gesto de responsabilidade perante a comunidade internacional, investidores e governos que cobram coerência entre o discurso climático e a prática”.