O setor de mineração global enfrenta uma transformação significativa, impulsionada pela crescente demanda por minerais críticos, como lítio e cobalto, essenciais para a transição energética. Grandes empresas dominam a produção, com destaque para a competição acirrada entre companhias ocidentais e chinesas. A necessidade de novas minas e a discussão sobre padrões éticos na mineração são fatores que moldam o futuro do setor.
A concentração de mercado é alarmante: apenas quatro empresas respondem por cerca de 55% da produção global de cobalto, enquanto cinco controlam 80% do lítio. Entre os principais players estão a Zijin Mining, que se destacou após a descoberta de grandes depósitos na China, e a CMOC, que se tornou um competidor direto da Glencore no mercado de cobalto. A CMOC, com uma capacidade de produção de 120 mil toneladas, supera a Glencore, que produz 38,2 mil toneladas.
Desafios e Oportunidades
A demanda por lítio e cobalto está em alta, mas o mercado enfrenta desafios, como a queda nos preços devido ao excesso de oferta. O presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, impôs restrições às exportações de cobalto para tentar aumentar os preços. A situação é complexa, pois a mineração de cobalto é frequentemente associada a questões éticas, como o trabalho infantil.
Além disso, a BHP, maior mineradora do mundo, está mudando seu foco para o cobre, prevendo um aumento significativo na demanda. A empresa adquiriu projetos na Argentina e no Chile, investindo cerca de 3 bilhões de dólares. A Rio Tinto também está se expandindo no setor de lítio, adquirindo ativos na América do Sul.
O Futuro da Mineração
A transição energética exigirá investimentos massivos, estimados em 1,7 trilhões de dólares até 2037, para garantir o fornecimento de metais críticos. A crescente interdependência entre empresas ocidentais e chinesas sugere que o setor pode se tornar ainda mais consolidado. Especialistas alertam que a desglobalização e o nacionalismo de recursos podem impactar a cadeia de suprimentos.
A mineração enfrenta um dilema ético, especialmente no Ocidente, onde o movimento “Não à mineração no meu quintal” ganha força. A necessidade de mais minas é inegável, mas a discussão sobre os padrões que devem ser aplicados na indústria é crucial. O futuro da mineração dependerá da capacidade de equilibrar a demanda por recursos com a responsabilidade social e ambiental.