
Desenvolvimentos importantes são esperados para o segmento de mineração brasileiro nos primeiros meses de 2026, com perspectivas de avanços em iniciativas relevantes relacionadas a contratos e projetos.
A BNamericas compilou as principais medidas esperadas pelos participantes do setor, que vão desde um novo leilão de áreas para exploração mineral até progressos em frentes estratégicas.
Leilão
O governo brasileiro, por meio da Agência Nacional de Mineração (ANM), prepara uma nova rodada de concessão de áreas para exploração, desta vez com expectativa de incluir blocos com potencial para minerais críticos.
Serão ofertadas cerca de sete mil áreas minerárias, incluindo regiões com potencial para o desenvolvimento de minerais críticos, como níquel, lítio, cobre e terras raras. A data exata do leilão ainda não foi definida, mas o plano da ANM é publicar o edital em dezembro e realizar a disputa em março de 2026, segundo um oficial consultado pela BNamericas.
Desde o início da década, a ANM realiza leilões de áreas para atrair novos participantes, estimular a atividade exploratória e diversificar a mineração nacional – dominada atualmente pelo minério de ferro, que responde por dois terços da receita do setor, seguido por ouro e cobre. A inclusão de áreas com potencial em minerais críticos deve ampliar o interesse na próxima rodada.
Projetos de minerais críticos
Projetos relevantes, com capex combinado de cerca de US$4 bilhões (bi), nos segmentos dos chamados minerais críticos, devem registrar desdobramentos importantes também.
Os projetos mapeados pela BNamericas se concentram especialmente nas áreas de cobre, terras raras, potássio e lítio. Os avanços esperados incluem etapas que vão do licenciamento a definições de financiamento, fases decisivas para a organização dos processos e contratação de empresas responsáveis.
No cobre, a mineradora brasileira Vale espera obter em breve a licença de instalação para o projeto Bacaba, no estado do Pará. O empreendimento foi concebido para estender a vida útil do Complexo Minerador Sossego, com produção média anual estimada em cerca de 50.000t ao longo de oito anos. A Vale investirá aproximadamente US$290 milhões (mi) na fase de implementação, com início da produção previsto para o primeiro semestre de 2028.
Outro projeto associado ao cobre que tende a avançar no primeiro trimestre de 2026 é o projeto Cabaçal, da Meridian Mining, que envolve cobre, ouro e prata e prevê investimento de US$248mi. A empresa recebeu recentemente a licença preliminar concedida pelo órgão ambiental de Mato Grosso.
Essa licença é a primeira etapa do licenciamento mineral no Brasil, seguida pelas licenças de instalação e de operação. A companhia informou que agora concentra esforços na preparação da documentação para a licença de instalação no primeiro semestre de 2026, enquanto o estudo de viabilidade definitivo também deverá ser publicado no próximo ano.
No segmento de terras raras, em que o Brasil possui o segundo maior volume de reservas do mundo – atrás apenas da China –, vários projetos avançam em soluções de financiamento que devem resultar, no médio prazo, na contratação de bens e serviços.
A australiana Viridis Mining and Minerals recebeu recentemente uma carta de intenções para financiamento de cerca de US$100mi da agência canadense de crédito à exportação EDC, para apoiar o projeto Colossus, em Minas Gerais. A empresa também conta com indicações de apoio da Bpifrance Assurance Export, além do BNDES e da Finep.
O projeto Colossus tem capex estimado em US$358mi e deverá avançar, ao longo do primeiro trimestre de 2026, em novas definições de financiamento e negociações associadas a contratos de offtake, abrindo espaço para fases posteriores.
Outra empresa que deve apresentar avanços no período é a canadense Aclara Resources, que estima investimento total de US$680,5mi no projeto Carina, em Goiás.
“A empresa planeja iniciar os trabalhos preliminares no local em meados de 2026 como parte do investimento em construção. Isso inclui a construção de acampamentos, melhorias nas estradas e determinadas infraestruturas auxiliares para preparar o local para a construção acelerada em 2027”, informou a Aclara em comunicado recente.
No potássio, a Brazil Potash, empresa de exploração e desenvolvimento mineral sediada em Toronto, trabalha para garantir o financiamento do projeto Autazes, avaliado em US$2,5bi, no estado do Amazonas.
No segmento do lítio, que enfrenta um cenário desafiador devido à elevada volatilidade de preços, a Sigma Lithium espera avanços ao longo do primeiro trimestre de 2026. A empresa anunciou recentemente um plano de troca de fornecedores para reduzir custos operacionais e modernizar suas atividades de mineração.
Minério de ferro
A despeito do avanço de iniciativas associadas aos minerais críticos, o minério de ferro – que representa o maior volume produzido e exportado pelo setor mineral brasileiro – continuará protagonizando a atividade do país.
“Devemos ver a sustentação do preço do minério de ferro próximo de US$100 por tonelada ao longo do próximo ano, diante de uma demanda contínua ao mesmo tempo em que os custos permanecem baixos, em meio à elevada qualidade do minério produzido no país”, afirmou Pedro Galdi, analista da AGF Investimentos, à BNamericas.
A Vale registrou preço médio de venda de US$94,4/t no terceiro trimestre, o dado mais recente disponível. O custo all-in de fornecimento para a China somou US$52,9/t, evidenciando a forte lucratividade do segmento. Nesse contexto, a empresa segue acelerando seus novos projetos.
Em setembro, a Vale obteve licença de operação para o projeto Carajás S11D (Serra Sul), no Pará, avaliado em US$2,8 bilhões (bi). A licença foi concedida pelo Ibama e o comissionamento está previsto para o segundo semestre de 2026.
Outro destaque é o projeto Itabirito P15 – Casa de Pedra, da CSN Mineração, em Minas Gerais. A CSN seguirá avançando nas obras de infraestrutura da unidade P15 ao longo do primeiro trimestre de 2026 e nos períodos seguintes. A expectativa é realizar investimentos anuais de cerca de R$2,6 bi (US$490mi) até 2028, impulsionados pelo projeto.
Enquanto isso, o conglomerado brasileiro J&F, por meio da LHG Mining, também avança com seu projeto de minério de ferro e manganês no complexo Morro do Urucum, em Corumbá, Mato Grosso do Sul. O investimento total previsto é de R$4bi e o objetivo é mais que dobrar a produção anual de minério de ferro de alta qualidade, de 12Mt para 25Mt.
A primeira fase do projeto deve começar a ser implementada em janeiro de 2026. A etapa inicial já foi certificada pela SRK.