Os avanços previstos em projetos de minério de ferro no Brasil no 1º trimestre de 2026

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Os projetos de minério de ferro no Brasil continuarão liderando o avanço do pipeline mineral no país no primeiro trimestre, à medida que a relação entre preços e custos segue favorável às empresas.

“Devemos ver a sustentação do preço do minério de ferro próximo de US$100 por tonelada ao longo do próximo ano, diante de uma demanda contínua ao mesmo tempo em que os custos permanecem baixos, em meio à elevada qualidade do minério produzido no país”, afirmou Pedro Galdi, analista da AGF Investimentos, à BNamericas.

A Vale, maior mineradora do Brasil e uma das principais produtoras globais de minério de ferro, registrou preço médio de venda de US$94,4/t no terceiro trimestre, o dado mais recente disponível. Já o custo all-in de fornecimento para a China totalizou US$52,9/t, ressaltando a elevada lucratividade do segmento no qual o Brasil é destaque.

Com esse cenário, a empresa segue acelerando seus novos projetos no segmento.

Em setembro, a Vale obteve licença de operação para o projeto de minério de ferro Serra Sul, Carajás S11D (Serra Sul), no Pará, avaliado em US$2,8 bilhões (bi). A licença foi concedida pelo Ibama e o comissionamento está previsto para o segundo semestre de 2026.

“O projeto prevê a expansão da capacidade anual da mina-usina S11D, no Sistema Norte, em 20Mt, por meio da abertura de novas frentes de lavra, instalação de um novo britador semimóvel, duplicação da correia transportadora de longa distância existente e implantação de novas linhas de processamento na planta”, informou a companhia em comunicado na época.

Outro destaque é o projeto Itabirito P15 – conhecido como Casa de Pedra – da CSN Mineração, em Minas Gerais. A empresa investiu cerca de R$1,5 bilhão (bi) (US$283mi) nos três primeiros meses deste ano, um aumento de 30,3% em relação ao total aplicado nos primeiros nove meses do ano anterior.

A CSN seguirá avançando nas obras de infraestrutura da unidade P15 ao longo do primeiro trimestre de 2026 e nos períodos seguintes. A expectativa é realizar investimentos anuais de cerca de R$2,6bi até 2028, influenciados pelo projeto da mina.

Com capacidade estimada de 15Mt/ano, o projeto deve iniciar a produção no primeiro trimestre de 2027. A CSN considera a iniciativa transformadora, já que pretende elevar o teor médio do minério de ferro de 58% para 65% até 2028.

Enquanto isso, o conglomerado brasileiro J&F, por meio da LHG Mining, também avança com seu projeto de minério de ferro e manganês no complexo Morro do Urucum, em Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul.

O investimento total previsto é de R$4bi. O objetivo é mais que dobrar a produção anual de minério de ferro de alta qualidade, de 12Mt para 25Mt.

A primeira fase do projeto deve começar a ser implementada em janeiro de 2026. A fase inicial já foi certificada pela SRK. A segunda fase está em conclusão da engenharia básica, mas só seguirá adiante após a implantação da fase 1, segundo informou à equipe de projetos da BNamericas Claudio Alves, gerente de novos negócios da LHG Mining.

O executivo não forneceu mais detalhes por razões de confidencialidade, já que a empresa está em processo de seleção de um sócio para o projeto.

A atratividade do setor tem atraído mais participantes.

A siderúrgica brasileira Gerdau deverá, a partir do próximo ano, ter excedente de produção de minério de ferro. Parte relevante dos investimentos da empresa está sendo aplicada na ampliação da capacidade da mina Miguel Burnier, em Minas Gerais, que deve atingir, a partir de 2026, produção total de 5,5Mt de minério de ferro.

“A gente já produz minério há bastante tempo, não é uma novidade para nós. Sempre tivemos o foco de produzir minério para consumo próprio. A partir do próximo ano, teremos um volume excedente de minério para vender e comercializar”, disse Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, questionado pela BNamericas durante entrevista coletiva recente.

Segundo Werneck, que informou que a empresa deve ter excedente de 2Mt de minério de ferro a partir do próximo ano, os planos da companhia em mineração são conservadores, mas apontam para expansão.

“Temos outros ativos minerários que podem ser explorados, mas ainda estamos analisando com bastante cuidado, pois jamais abrimos mão de nossos compromissos ambientais. Em resumo eu diria que está nos nossos planos produzir um pouco mais de minério no futuro, para comercialização, mas isso será feito com muito cuidado e calma”, ressaltou Werneck.

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