A Prefeitura de Mongaguá, no litoral de São Paulo, está avaliando a possibilidade de assumir a gestão de um trecho de ferrovia de cerca de 13 quilômetros que liga o município ao Vale do Ribeira. O trecho, atualmente sem uso ou conservação, passa pela cidade e desperta interesse da administração pública local por conta do potencial de reativação, valorização urbana e articulação logística.
Segundo a reportagem do veículo A Tribuna, o trecho em questão pertence à antiga linha férrea que interligava a Baixada Santista ao Vale do Ribeira. A empresa operadora da malha ferroviária não demonstra interesse em retomar a utilização ou a conservação do segmento, o que gerou o espaço para que a prefeitura pleiteie a doação ou a cessão da faixa junto à União ou outro ente responsável.
A administração municipal argumenta que o segmento está abandonado: preenchido por mato alto, depósitos de lixo, buracos no solo e córregos sem manutenção. Em alguns trechos centrais, observa-se ocupação irregular por moradias ou comércios ao longo do traçado. A ponte sobre o rio que já fazia parte da malha foi apontada como deteriorada. A prefeitura defende que a área, se transformada em empreendimento público ou outro projeto de uso, poderia agregar valor à cidade.
A linha férrea — originalmente construída para carga e passageiros, e utilizada historicamente para o transporte de produtos agrícolas e de madeira — está desativada há anos. Estudos recentes elaborados pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) já apontaram a elaboração de um projeto funcional de nova ferrovia entre a Baixada Santista e o Vale do Ribeira de cerca de 223 km de extensão, contemplando dezenas de estações e integração de carga e passageiros.
Para a prefeitura de Mongaguá, a eventual cessão ou doação desse trecho de 13 km representa uma oportunidade de transformar um passivo urbano em ativo. A área poderia abrigar ciclovias, parques lineares, áreas de lazer ou até reativação ferroviária com uso turístico ou de carga leve — uma alternativa para revitalização e conexão com o entorno. Ainda não há decisão final e o processo depende da formalização junto aos órgãos federais ou responsáveis pela malha ferroviária abandonada.
Fontes no município informam que foram iniciadas conversações com as autoridades federais competentes, com vistas à transferência de domínio ou concessão de uso. A prefeitura aguarda clareza sobre o nível de conservação, responsabilidades, custos de manutenção e eventuais obrigações jurídicas associadas. Ainda assim, o interesse público local considera que o momento é oportuno para buscar alternativas de reuso da faixa, sobretudo em cenário de maior atenção a infraestrutura ferroviária e logística urbana.
Em resumo, a iniciativa da Prefeitura de Mongaguá — sob o entendimento de que “o trecho está abandonado e precisa de utilidade pública” — marca um passo relevante no debate sobre aproveitamento de malhas ferroviárias desativadas no litoral paulista. Se bem encaminhada, a medida pode servir de piloto para outras cidades que enfrentam situação semelhante em torno de antigas linhas férreas.