A siderúrgica brasileira Gerdau projeta uma redução em seus investimentos em 2026, refletindo o cenário desafiador para o setor de aço.
Ao mesmo tempo, a companhia prepara-se para expandir sua atuação no segmento de minério de ferro, numa tentativa de diversificar receitas.
A empresa anunciou que pretende investir no próximo ano um total de R$4,7 bilhões (bi) (US$886mn) em suas operações, valor inferior aos R$6bi projetados para 2025.
Do montante planejado para o ano que vem, R$2,9bi serão destinados a projetos de manutenção e R$1,8bi a projetos de competitividade.
“Projetos de manutenção estão associados ao prolongamento da vida útil e melhorias operacionais dos equipamentos, com o objetivo de manter o desempenho das unidades. Projetos de competitividade envolvem crescimento de produção, aumento de rentabilidade e modernização das unidades,” disse a empresa em comunicado.
A companhia também informou que deve investir cerca de R$3bi anuais em manutenção ao longo dos próximos cinco anos.
A retração dos investimentos já era esperada, em meio à pressão enfrentada pelas siderúrgicas brasileiras diante da entrada crescente de aço importado, principalmente da China, o que aumenta a concorrência no mercado doméstico e reduz a rentabilidade das empresas.
“A expectativa é que o cenário para siderúrgicas se mantenha desafiador nos próximos trimestres, porque a entrada de aço chinês tende a continuar. Diante disso, as empresas vão trabalhar na diversificação de seus negócios para obter novas fontes de receitas,” disse Carlos Daltozo, chefe de pesquisa da empresa de investimento Tuesday Capital, à BNamericas.
Apesar das pressões das siderúrgicas locais para impor barreiras adicionais ao aço chinês, o governo brasileiro enfrenta dificuldades em adotar tais medidas. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e a boa relação entre os dois países tem limitado os efeitos, na balança comercial brasileira, das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra as exportações do Brasil.
“No caso da Gerdau, faz sentido ampliar a produção de minério de ferro, que hoje é voltada ao consumo próprio, para vender o excedente a terceiros. A CSN, através da CSN Mineração, já segue esse caminho e a tendência é que a Gerdau adote estratégia semelhante, uma vez que o minério de ferro é parte central do negócio siderúrgico,” acrescentou Daltozo.
Atualmente, parte relevante dos investimentos da Gerdau está sendo aplicada na ampliação da capacidade produtiva da mina de minério de ferro Miguel Burnier, em Minas Gerais. O minério extraído abastece as próprias operações da companhia, mas, a partir de 2026, com a conclusão do projeto de expansão, a empresa planeja comercializar o excedente da produção no mercado.