Projeto de trem Salvador–Feira prevê R$ 6,8 bi e integração logística na Bahia

O estado da Bahia vem trabalhando para tirar do papel um ambicioso projeto de infraestrutura: a implantação do Trem Intercidades, que vai ligar a capital, Salvador, a Feira de Santana, por meio de uma linha férrea moderna, destinada ao transporte de passageiros e de cargas. Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto foi apresentado ao Ministério dos Transportes e promete reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades de 1h11 para apenas 35 minutos, além de movimentar toda a cadeia produtiva e econômica do estado.
Segundo dados da TIC Bahia, empresa responsável pelo projeto, a ferrovia terá 98 km de extensão, com trens de passageiros operando a até 160 km/h e composições de carga com velocidade de até 120 km/h, contribuindo diretamente para o escoamento de mercadorias rumo aos portos da Baía de Todos-os-Santos. A expectativa é de transportar 23 milhões de passageiros por ano, além de gerar mais de 10 mil empregos diretos e 50 mil indiretos.
O projeto foi detalhado na última quarta-feira (16), em reunião entre representantes da TIC Bahia e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida. “Feira de Santana é o elo entre Salvador e o interior da Bahia — e este projeto chega para fortalecer ainda mais essa conexão. Vai além dos trilhos: pode impulsionar parcerias comerciais, movimentar a economia e promover uma integração logística que beneficia todo o estado”, destacou o secretário.
Impacto econômico e urbano
A ferrovia contará com 10 paradas — oito estações de passageiros e dois pátios de carga. O percurso começa no bairro de Águas Claras, em Salvador, com integração ao sistema metroviário, ao VLT em construção e à nova rodoviária da capital, prevista para ser inaugurada até outubro. O trajeto inclui Simões Filho, Candeias, São Sebastião do Passé, Santo Amaro e Conceição do Jacuípe, finalizando em Feira de Santana, nas estações Noide Cerqueira e Rodoferroviária Contorno.
De acordo com a empresa, o impacto direto pode atingir 6 milhões de habitantes e promover transformações urbanas significativas nas cidades envolvidas. “É um projeto ímpar que vai iniciar um novo ciclo de desenvolvimento do estado. O trem pretende gerar mais de R$ 60 bilhões em retorno para as cadeias produtivas ao longo do trajeto”, afirma Danilo Ferreira, diretor técnico da TIC Bahia.
Já os estudos econômicos completos apontam um potencial de R$ 73 bilhões em impacto para a capital e região metropolitana e R$ 17,2 bilhões para a área industrial de Feira de Santana, que abriga mais de 300 indústrias. A estimativa de faturamento anual da ferrovia é de R$ 1,115 bilhão, sendo R$ 1,035 bilhão com transporte de passageiros e R$ 80 milhões com cargas.
Articulação política
A proposta foi levada pessoalmente ao ministro dos Transportes, Renan Filho, pelo deputado federal Zé Neto (PT-BA), que tem atuado como articulador político do projeto em nível federal. Também estiveram presentes os representantes da TIC Bahia: o empresário Osvaldo Ottan, o engenheiro Danilo Silva e o advogado Ronaldo Mendes.
Segundo Zé Neto, a ferrovia Salvador–Feira se conecta a uma visão estratégica mais ampla, alinhada à Ferrovia de Integração Oeste–Leste (Fiol) e ao projeto da Ferrovia Transoceânica, que promete mudar os fluxos logísticos internacionais, reduzindo em até 22 dias o tempo de transporte entre a América Latina e a Ásia, e reposicionando o Brasil no cenário global.
“Feira de Santana é hoje o maior centro logístico do país. Esse projeto integra um novo mundo, focado em transporte sustentável, alimentação e minérios — dois pilares da economia global. A ferrovia terá papel fundamental nesse processo. Estou ajudando no que for possível: já apresentamos o projeto ao ministério, à Casa Civil, ao Planejamento. Agora, é conectar os governos e buscar financiamento privado para viabilizar esse sonho”, disse o parlamentar.
Zé Neto destacou ainda que o projeto já recebeu autorização do Ministério dos Transportes e possui estudos socioeconômicos, estratégicos e geológicos concluídos, além de um projeto executivo bem elaborado. A modalidade será a de permissão, que permite ao setor privado liderar a viabilidade técnica e financeira, em parceria com os entes públicos.
“É pensar grande e agir grande. Já demos os primeiros passos, agora é articular todos os setores — União, estado e municípios — para tornar o Trem Intercidades uma realidade para a Bahia”, concluiu.
Trem-bala e piada
Em 2003, uma peça publicitária com tom irônico circulou em jornais impressos, anunciando a fictícia inauguração de um “trem-bala” entre Salvador e Feira de Santana. A chamada prometia uma velocidade de até 300 km/h, tempo de viagem de apenas 20 minutos e saída a cada 5 minutos da nova estação de Simões Filho, com integração à rodoviária Salvador-Itaparica.
O anúncio, publicado como informe publicitário, trazia dados exagerados e previsões irreais para o contexto da época, como trens a 300 km/h e a promessa de eliminar os congestionamentos da BR-324. Na ocasião, o material satirizava os recorrentes anúncios de grandes obras de infraestrutura que nunca saíam do papel.
Mais de 20 anos depois, o tema volta à pauta — agora de forma concreta — com o projeto do Trem Intercidades Salvador–Feira, apresentado ao Ministério dos Transportes e à Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, com previsão de investimento de R$ 6,8 bilhões e operação real com trens de alta velocidade e transporte de cargas.

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