Desaceleração da produção e do consumo de aço na China continua, enquanto nos EUA, o consumo do aço local continua avançando, em detrimento das importações.
Na China, o PMI Industrial seguiu avançando em ritmo lento, mas permanece abaixo dos 50 pontos pelo sexto mês consecutivo, sinalizando expectativa de retração da atividade industrial no país. Nesse contexto, a produção e o consumo de aço continuaram em queda tanto em relação ao mês anterior, como na comparação anual, e, no acumulado dos oito primeiros meses de 2025, retraíram 3,1% a/a e 4,6% a/a, respectivamente. Diante da desaceleração do consumo mais acentuada do que a da produção, as exportações cresceram 9,6% a/a no período. Com relação aos preços, as cotações da bobina laminada à quente na região mantiveram-se relativamente estáveis em torno de US$ 480/t.
Já nos EUA, as cotações da bobina laminada à quente continuaram recuando (-3,0% m/m), e encerraram o mês de setembro em US$ 800/t. Dados mais recentes mostram que o volume total de aço importado teve redução de 16,8% m/m em agosto, e as importações oriundas do Brasil caíram 11% m/m. Além disso, nos oito primeiros meses de 2025, o volume total de aço importado nos EUA recuou 7,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo as medidas tarifárias adotadas pelo país. Por outro lado, observa-se um incremento de 2,3% a/a na produção de aço local no acumulado de 20251, somando 68,5 Mt, e um avanço de 0,9 p.p. a/a na taxa de utilização da capacidade instalada, que atingiu 77,1%.
Os preços de minério de ferro atingiram o maior patamar do ano, impulsionados principalmente pela demanda aquecida pré-feriado na China
os estoques da commodity avançaram gradualmente ao longo de setembro e atingiram o maior patamar desde março/25. Vale mencionar que a proximidade com o feriado chinês da Golden Week2 estimula o reforço dos estoques em diversas cadeias produtivas, e o patamar após o feriado será um termômetro para medir o dinamismo da demanda. Assim, as cotações de minério de ferro avançaram ao maior patamar de 2025 ao longo do mês, e apesar da ligeira correção no fechamento de setembro, seguem acima dos US$ 100/t desde julho/25, refletindo também o otimismo do mercado com relação à possível racionalização da indústria siderúrgica chinesa por meio do corte de produção pretendido pelo governo.
Exportações brasileiras de minério de ferro continuaram aquecidas em agosto, e as cotações da commodity têm se sustentado em torno dos US$ 100/t
Com relação ao minério de ferro, as importações de minério de ferro na China tiveram ligeira queda em agosto, mas, ainda assim, o nível dos estoques da commodity se manteve no mesmo patamar do mês anterior, e observou-se um ligeiro aumento na primeira quinzena de setembro. Vale pontuar que os preços da commodity têm se sustentado próximos dos US$ 100/t desde o anúncio do governo chinês em julho sobre a eliminação de capacidade obsoleta do setor de siderurgia, que contribuiu para a melhora nas perspectivas para essa indústria no país.
No Brasil, após o patamar recorde observado nos dois meses anteriores, as exportações de minério de ferro recuaram 9,2% m/m em setembro. No acumulado dos primeiros 9 meses de 2025, houve aumento de 13 Mt no volume total embarcado pelo Brasil (+4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior).
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