Transição energética deve ajudar siderurgia brasileira

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O Brasil está bem posicionado e tem vantagem competitiva para realizar a transição energética em suas siderúrgicas nos próximos anos. O país emite ao redor de 40% menos CO2 por tonelada produzida de aço, se comparado à média mundial. A demanda por um produto com menor emissão de gases de efeito estufa (GEE) deve aumentar globalmente nos próximos anos, de acordo com profissionais do setor ouvidos pelo Valor.

A União Europeia, por exemplo, vai passar a cobrar uma taxa ambiental em suas importações do insumo que tenham pegada de carbono a partir do ano que vem. O Japão tem incentivado sua poderosa indústria automobilística a usar aços mais sustentáveis.

“Um estudo da [consultoria] McKinsey diz que teremos um déficit de ‘ferro verde’, o insumo que vamos produzir para o aço com zero pegada de carbono, de 109 milhões de toneladas no mundo em 2031”, afirma o vice-presidente de relações institucionais da Brazil Iron, Emerson Souza. A companhia deve iniciar suas operações na Bahia em 2030, num investimento de US$ 5,7 bilhões. “Já temos dez anos da nossa produção vendida para Europa e Ásia.”

Num setor sem grandes inovações, a nova fronteira tecnológica é a competição por zerar ou retirar a maior quantidade possível de CO2 na produção. Uma opção é a utilização do forno elétrico a arco (EAF, da sigla em inglês). CSN, Villares Metals, AVB e Gerdau são siderúrgicas que detêm a tecnologia.

Mas há gargalos para substituir fornos convencionais aquecidos por coque de carvão. O primeiro deles é o ferro que chega para ser derretido e temperado até se tornar aço. Os fornos a arco, na maioria das vezes, só conseguem produzir a partir de sucata ou de ferro esponja, em processo conhecido como rota elétrica. Seu destino principal é a construção civil e outra fatia vai para a produção de carros. Já a maior parte do tradicional ferro-gusa se torna aço em um forno a coque (rota integrada). Vai para a indústria aeroespacial, naval, óleo e gás e outras.

“Na Gerdau, 70% do aço é produzido a partir de sucata. Boa parte desse número advém de fornos elétricos a arco e são voltadas para a indústria automobilística”, destaca Naiara Comenale, gerente de meio ambiente na siderúrgica.

“Outro gargalo para a transição energética no setor é o tempo de vida útil dos fornos em uso nas siderúrgicas brasileiras, que é de 30 anos”, explica Stefania Relva, do E+ Transição Energética, think tank especializado no tema.

“A falta de demanda e pressão atual do consumidor por um aço com menor emissão de GEE também contribui para a estagnação do mercado em termos de transição energética”, analisa Felipe Gonçalves, superintendente de pesquisa do Centro de Estudos de Energia da FGV-RJ. “Em comparação com outros setores industriais, como o de plásticos, a siderurgia brasileira se antecipou na transição energética.”

A AVB, localizada no sul do Maranhão, desde 2015 compra minério da Vale, produz ferro-gusa com forno aquecido a carvão vegetal, e depois o transforma em aço num forno elétrico. “A AVB possui a menor emissão do mundo: 0,22 tonelada de CO2 por tonelada de aço produzida, enquanto a média mundial é cerca de 1,9”, afirma a CEO da companhia, Silvia Nascimento. “Somos considerados carbono neutro pelos critérios da ONU, porque o CO2 da queima do carvão vegetal é totalmente capturado no processo.” A madeira é advinda de florestas de eucalipto que a empresa mantém em áreas próximas à região, o que torna a produção ainda mais sustentável.

“Esse ano produziremos cerca de 240 mil toneladas de aço em EAF”, diz Helena Brennand Guerra, diretora de sustentabilidade da CSN. “Mas a combinação de diferentes rotas, integrada e elétrica, é estratégica para atendermos às diversas demandas do mercado.”

Cristina Yuan, do Instituto Aço Brasil, acredita que transição energética na siderurgia brasileira está condicionada à introdução de novas tecnologias, como o uso do hidrogênio verde e do biometano em plantas no país. “Mas a introdução do hidrogênio, por exemplo, é um ‘sonho’ devido aos custos de capex, variando de US$ 18 a 30 bilhões para fornos adaptados, além da garantia de fornecimento e infraestrutura de distribuição.”

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