Vale busca retomar liderança em minério de ferro

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A Vale tem a perspectiva de voltar a ser a maior mineradora de minério de ferro do mundo este ano, posição que perdeu para a anglo-australiana Rio Tinto logo depois da tragédia de Brumadinho (MG), em 2019. A retomada da liderança, em termos de volume de produção, será possível graças a um conjunto de medidas que vem sendo implementado pela empresa nos últimos anos e ganhou tração sob a gestão de Gustavo Pimenta, 47 anos, que completa nesta quarta-feira um ano como presidente da companhia.

“Temos trabalhado para mostrar [aos investidores] que a companhia se transformou profundamente do ponto de vista de gestão de barragens, riscos e segurança”, disse ontem Pimenta ao Valor. Ele estava em Carajás, no Pará, onde se situam as principais operações da companhia, acompanhando o início do funcionamento do segundo forno da produtora de níquel Onça Puma, em Ourilândia do Norte.

Nesses 12 meses à frente da Vale, Pimenta se comprometeu com outros investimentos: a expansão de níquel em Voisey’s Bay, no Canadá, já concluída; e com três projetos que ampliam a capacidade de produção de minério de ferro no Pará (o chamado +20) e Vargem Grande e Capanema, ambos em Minas Gerais.

Dessa forma, a Vale mantém a meta de produzir entre 325 milhões e 335 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano, acima das 328 milhões de toneladas de 2024. Pimenta diz que a empresa está conseguindo entregar 100% das metas nos diferentes produtos (minério de ferro, níquel e cobre), o que se relaciona com uma maior estabilidade operacional.

A Vale era muito cobrada por investidores por não cumprir metas de produção e havia ainda incertezas relacionadas à segurança das barragens depois das tragédias de Brumadinho, em 2019, e de Mariana, em 2015, que, em 5 de novembro, completa dez anos. Foi no começo da gestão de Pimenta que a Vale conseguiu fechar o acordo global de repactuação por Mariana.

Pimenta disse ainda que, há um mês, a empresa conseguiu outra marca importante, que foi não ter mais nenhuma barragem de rejeitos em nível 3, grau máximo de emergência segundo a classificação da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A redução gradual de riscos que a Vale vem obtendo na operação trouxe ganhos na forma como o mercado percebe a empresa, disse Pimenta, que foi CFO da mineradora antes de assumir a presidência. Em setembro, a S&P Global Ratings elevou o rating global de crédito da Vale, que passou de “BBB-” para “BBB”, com perspectiva estável. A empresa também teve melhoria nos ratings ESG por parte de Sustainalytics e MSCI.

Essas medidas permitem, segundo Pimenta, que a Vale aumente a base de acionistas. Após Brumadinho, diversos investidores internacionais colocaram a mineradora brasileira em lista de exclusão. Alguns fundos ficaram impedidos de investir na Vale. Agora, afirma o executivo, grandes gestores, que administram portfólios de quase US$ 1 trilhão, voltaram a se sentir confortáveis para investir na companhia.

Levantamento feito pelo Valor Data mostra que, entre 30 de setembro do ano passado, véspera da posse de Pimenta, e ontem, a ação da Vale perdeu em desempenho para a da Anglo American, mas foi melhor que Rio Tinto e BHP. Pimenta usa outra métrica, baseada no que chama TSR, sigla para retorno total para o acionista, em inglês. Por esse conceito, de janeiro até segunda-feira (29), a Vale entregou ao acionista 30,4% de retorno, acima de BHP, com 20%; de FMG, com 19%; e da Rio Tinto, com 18,9%.

Na frente doméstica, onde está a maior parte das operações da empresa, há desafios por resolver. Uma das missões de Pimenta, desde o primeiro dia, foi melhorar a relação com os públicos de interesse da companhia, incluindo governos (nas três esferas), comunidades e clientes. A sucessão do CEO da Vale, em 2024, foi marcada por polêmicas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez cobranças sistemáticas à mineradora.

Interlocutores da companhia dizem que a Vale abriu portas em Brasília, o que não impede que alguns ruídos ocorram. O mais recente deles foi a falta de acordo com a União para renovar a concessão de ferrovias. O Valor apurou que a repactuação não teria sido possível pela tentativa de inserir no acordo a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), projeto que se vincula à Bahia Mineração (Bamin). Segmentos do governo têm pressionado a Vale a investir na Bamin, mas a empresa deu sinais até agora de que só vai entrar em projetos com garantia de retorno.

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