Vale do Lítio no Brasil atrai R$ 6,3 bi, mas enfrenta entraves

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O estado de Minas Gerais vem registrando avanços em iniciativas ligadas ao lítio, mesmo em meio a desafios significativos para o desenvolvimento de projetos no segmento.

Com produção recorde de mais de 944.000t de concentrado de lítio em 2024 – quase quatro vezes o volume registrado em 2023 (263.000t) – os municípios do Vale do Jequitinhonhae do norte do estado passam por uma transformação no contexto econômico regional.

Em 2023, diante das expectativas otimistas com a demanda por lítio, impulsionadas pela produção de veículos elétricos, o governo de Minas Gerais lançou o chamado Vale do Lítio junto com iniciativas para atrair empresas e investimentos, além de promover a capacitação de mão de obra e o desenvolvimento tecnológico em uma área específica do estado com elevado potencial para o mineral.

A região é formada por 14 municípios que concentram as maiores reservas de lítio do país, conhecidos como Vale do Jequitinhonha.

“Desde que lançamos o programa Vale do Lítio, temos conseguido atrair um grande volume de investimentos para a região, com fornecimento de infraestrutura, incentivo à tecnologia, qualificação na mão de obra. E isso significa mais empregos e mais oportunidades para os mineiros,” disse o governador Romeu Zema, num comunicado.

Segundo o governo estadual, desde a criação do Vale do Lítio, a região já atraiu R$6,3 bilhões (US$1,18bn) em investimentos e projeta a geração de quase 5.000 empregos diretos.

Apesar dos bons resultados iniciais, o setor enfrenta entraves.

“Muitos projetos de lítio receberam indicações de investimentos em um momento de elevado otimismo com o segmento, em meio a uma expectativa de demanda muito alta, principalmente influenciada pela expansão dos veículos elétricos. Porém, essas expectativas otimistas não estão se confirmando e têm provocado uma queda nos preços do lítio, o que representa um grande desafio para os projetos do setor,” disse Valdir Farias, CEO da consultoria de mineração Fioito, à BNamericas.

“A tendência é que apenas os empreendimentos em fase mais madura avancem, mas mesmo esses projetos precisarão passar por algum processo de renegociação de preços com financiadores e fornecedores para que se tornem realmente viáveis,” acrescentou Farias.

Atualmente, o estado de Minas Gerais abriga a única planta química nacional de compostos de lítio, operada pela Companhia Brasileira de Lítio (CBL), em Divisa Alegre.

O diretor-presidente da CBL, Vinícius Alvarenga, destacou a rápida expansão da produção e a importância das ações estaduais para superar obstáculos.

“Desde 2021, a CBL ampliou sua produção em cinco vezes e planeja dobrá-la nos próximos dois anos. O principal desafio tem sido a falta de mão de obra qualificada, mas vemos o apoio de programas valiosíssimos para formação técnica básica,” afirmou Alvarenga.

Além da CBL, também atuam no Vale do Lítio a Sigma, Atlas Lithium Corporation, Latin Resources, DeepRock e Lithium Ionic, com operações em diferentes estágios de desenvolvimento.

Além da pressão baixista sobre os preços, à medida que crescem as dúvidas sobre o real avanço dos veículos elétricos no mundo, o setor também lida com entraves locais.

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou recentemente a suspensão de alguns projetos de lítio em Minas Gerais, alegando ausência de consultas adequadas às comunidades locais e potenciais impactos negativos.

A justiça rejeitou o pedido de suspensão, mas determinou a realização de perícia técnica independente para avaliar denúncias de danos ambientais e sociais.

Em meio a esses obstáculos, os investimentos relacionados ao lítio devem cair 2,4%, para US$1,16 bilhões no período de 2025 a 2029, em comparação com a previsão para 2024 a 2028, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

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