Vale já investiu 40% dos US$ 5 bi previstos para reabilitação de barragens

Com previsão de investimentos de US$ 5 bilhões, o Programa de Reabilitação de Barragens de Rejeitos da Vale já atingiu 40% deste valor. Criado em 2019, quatro anos após a tragédia de Brumadinho (MG), engloba 30 estruturas – entre barragens, diques e empilhamentos drenados com método de alteamento a montante no Brasil – e tem prazo para ser concluído em 2035.

No fim de 2024, quatro delas foram eliminadas – sendo as mais icônicas as barragens B3 e B4, primeiras estruturas em nível 3 a serem descaracterizadas. Na sequência vieram duas estruturas em Itabira – Dique 1A e Dique 1B – onde a Vale totalizou 80% da descaracterização na cidade. “Foi um grande marco para gente, pela proximidade com a comunidade. Foi uma entrega muito grande para nós, na Vale. E, no final, no apagar das luzes, conseguimos descaracterizar a Área IX, concluindo 17 estruturas e contemplando 57% do programa de descaracterização”, lembra Adriana Bandeira, diretora de descaracterização de barragens e projetos geotécnicos da Vale.

Este ano, mais duas estruturas serão entregues neste segundo semestre – Grupo (no Complexo de Fábrica, em Ouro Preto, previsto para setembro) e Campo Grande (no Complexo de Mariana, com previsão para dezembro) -, completando 63% do programa.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) concedeu Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva à barragem Campo Grande, localizada na mina Alegria, em Mariana (MG), em dezembro do ano passado. A medida acabou com o nível de emergência da estrutura e atestou a segurança da mesma. A melhora das condições de estabilidade foi possível graças ao avanço do processo de descaracterização, que está previsto para ser concluído em 2026.

Em maio, a mineradora informou que a barragem Grupo havia deixado o nível de emergência que havia sido decretado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A estrutura teve atestada a “condição de estabilidade”, mas será mantida preventivamente em “nível de alerta”. “A estrutura recebeu Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva, atestando a sua segurança”, comunicou a empresa, em nota. Segundo a mineradora, as condições de segurança da estrutura foram reforçadas por obras de escavação do maciço e remoção de alteamentos a montante da barragem.

“Teremos até 2035 a continuidade das 11 estruturas remanescentes. Neste contexto, ainda temos uma única estrutura nível 3 – Forquilha III, localizada na Mina de Fábrica, em Ouro Preto. Outras duas, Forquilha I e Forquilha II, estão no nível 2 e que serão contempladas nesses próximos anos”, destacou Adriana Bandeira.

Em 18 de agosto, a barragem Forquilha III teve o nível de emergência reduzido de 3 para 2 no Sistema Integrado de Gestão de Barragem de Mineração (SIGBM) da ANM, nesta segunda-feira (18). A decisão foi baseada em avaliação técnica conduzida pela Superintendência de Segurança de Barragens e Pilhas da ANM, a partir de documentação enviada pela empresa Vale. Segundo a análise, a mudança decorre de avanços significativos na caracterização geotécnica da estrutura, como novas investigações de campo, ensaios laboratoriais e calibração da rede de fluxo com dados de instrumentação. Essa abordagem permitiu maior alinhamento entre os modelos de análise e as condições reais da barragem.

Apesar da redução no nível de emergência, a ANM destaca que a estrutura ainda requer atenção contínua. Por esse motivo, determinou que os trabalhos de descaracterização da barragem devem prosseguir exclusivamente com o uso de equipamentos operados remotamente, a fim de reduzir a exposição de trabalhadores a riscos. Qualquer acesso à estrutura para manutenção ou inspeção só poderá ocorrer mediante protocolos rigorosos de segurança, com autorização técnica prévia e monitoramento permanente.

“Alcançamos nosso compromisso de não ter barragens em nível de emergência 3 até o ano de 2025, reforçando a segurança das pessoas e do meio ambiente. Também implementamos com sucesso e no prazo previsto o Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM), para todas as nossas barragens de rejeitos. Continuaremos avançando na implementação do Programa de Descaracterização de Barragens a Montante e na melhoria contínua de nossa gestão de barragens”, comunicou Gustavo Pimenta, CEO da Vale.

A Barragem Forquilha III é uma das 13 (treze) estruturas a montante que ainda serão descaracterizadas pelo Programa de Descaracterização da Vale. Desde 2019, das 30 estruturas previstas, 17 (quatorze em Minas Gerais e três no Pará) já foram descaracterizadas, o que equivale a 57% do total. Já foram investidos mais de R$ 12 bilhões no programa. A previsão é concluir a descaracterização da barragem Forquilha III no final de 2035, com a execução completa do projeto de descaracterização e a recuperação ambiental da área. A barragem possui Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ) com Declaração de Condição de Estabilidade (DCE), capaz de reter os rejeitos no caso de um eventual rompimento. As estruturas a montante da Vale no Brasil estão inativas e são monitoradas 24 horas por dia pelos Centros de Monitoramento Geotécnico (CMGs) da empresa.

A Zona de Autossalvamento (ZAS) da barragem Forquilha III está evacuada desde 2019, quando a estrutura foi classificada em nível 3. E a Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ) segue com Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva, informou a ANM.

Apesar da melhoria das condições de estabilidade da barragem e da redução para nível 2, não haverá retorno da comunidade neste momento, em cumprimento à legislação. Enquanto os trabalhos de descaracterização avançam, ações de reparação e fortalecimento dos serviços públicos correm em paralelo, como forma de compensar os impactos causados à comunidade local.

Nesse sentido, a Vale firmou, em novembro de 2024, acordo para ações de reparação e compensação nos municípios de Itabirito, Ouro Preto, Rio Acima e Nova Lima. O acordo contempla programas relacionados à transferência de renda, requalificação do turismo e cultura, segurança, fortalecimento do serviço público municipal e demandas das comunidades atingidas.

Adriana Bandeira destacou, ainda, a barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, onde a Vale conseguiu, por meio de muitos estudos, investigações, testes e instrumentações, fazer a redução de nível, em 2024, de nível 3 para nível 2. “Essa etapa que se iniciou em 2024, daqui adiante é que a gente vai ter os maiores desafios. Passamos por um grande, com B3 e B4. Nem todo mundo sabe, mas quando iniciamos o programa era a estrutura mais temida. E a gente conseguiu fazer essa conclusão, a partir de muita engenharia, trazendo muita tecnologia. Um ganho não só da Vale, mas muito mais para nós como sociedade, retirar uma estrutura que estava em nível 3 e descaracterizá-la da forma como fizemos”, ressaltou a diretora da mineradora.

Com 25 anos de carreira na área de projetos, a profissional trabalhou, até 2020. Foi convidada para assumir a função em 2023 – até então, algumas barragens já haviam sido descaracterizadas. “Para nós, Vale, o programa de descaracterização é extremamente estratégico. É o nosso compromisso em cumprir de uma forma extremamente segura, garantir a segurança das nossas operações e da proximidade das comunidades onde a gente atua. Ele é prioritário. Queremos, de fato, que chegue o dia que não tenhamos mais nenhuma estrutura a montante. Que a gente consiga. E vamos concluir nosso programa. Este é o nosso compromisso, com segurança em primeiro lugar”, finalizou.

SERVIÇOS EM ANDAMENTO:

Reforços de estruturas;

Tratamentos de fundação;

Escavações e aterros;

Drenagens;

Terraplanagem;

Instalação de instrumentos e monitoramentos;

EMPRESAS:

Intertechne

Head5

Tetratech

Geocoba

Pimenta de Avila

Walm

Dam

TPF

BVP

Tractebel

Geoestavel

DF+

Aterpa

Construtora Barbosa Melo

Salum

CFM

Tequaly

Teixeira Duarte

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