Vendas de implementos rodoviários recuam 6% até outubro e refletem desaquecimento do transporte de cargas

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O mercado brasileiro de implementos rodoviários encerrou os dez primeiros meses de 2025 com desempenho inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), as vendas somaram 125,3 mil unidades de janeiro a outubro, o que representa uma queda de 6% em relação às 133,3 mil entregues em igual intervalo de 2024.

A retração acompanha o movimento observado na indústria de caminhões. Conforme a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), as vendas de pesados somaram 92,3 mil unidades no acumulado de 2025, uma redução de 8% ante o mesmo período do ano anterior.

De acordo com o presidente da Anfir, José Carlos Sprícigo, o comportamento dos dois segmentos reflete diretamente o ritmo da economia brasileira. “Implementos rodoviários e caminhões são motores importantes do desenvolvimento nacional e espelham o andamento dos negócios no País”, afirma o executivo. “É preciso que os valores arrecadados em impostos sejam revertidos em infraestrutura, em um Brasil cuja economia literalmente gira sobre rodas.”

Pesados seguem como freio do mercado

O principal fator de retração nas vendas do setor está concentrado na categoria de reboques e semirreboques, que representa o segmento de pesados. De janeiro a outubro, foram 60,1 mil unidades emplacadas, o que equivale a uma queda de 19,9% em relação às 75,1 mil registradas um ano antes.

Apesar do resultado acumulado negativo, o desempenho de outubro mostrou leve reação: 6,46 mil unidades foram comercializadas no mês, volume acima da média anual de 6 mil produtos.

Leves avançam e compensam parcialmente o recuo

Em sentido oposto, o segmento de carrocerias sobre chassis, que compõe o mercado de implementos leves, manteve trajetória de expansão. As vendas alcançaram 65,2 mil unidades nos dez primeiros meses do ano, um crescimento de quase 12% frente ao mesmo período de 2024.

Somente em outubro, o setor registrou 7,52 mil emplacamentos, cerca de 1 mil unidades acima da média anual. O resultado confirma o fôlego da categoria, impulsionada pelo transporte urbano e regional de cargas leves e pela retomada gradual da atividade no varejo e na distribuição de alimentos e bebidas.

Juros altos e incerteza fiscal travam investimentos

Para Sprícigo, além do enfraquecimento do transporte de cargas pesadas, fatores macroeconômicos têm pesado sobre o desempenho do setor. O executivo defende que o país precisa de uma política econômica mais previsível e de medidas voltadas à redução do custo do capital.

“Enquanto o Copom enxergar riscos de descontrole inflacionário, pressionado pela expansão fiscal desordenada, o Brasil não conseguirá entrar na rota do crescimento sustentável”, afirma o presidente da Anfir. “É necessário controlar gastos públicos para que o Banco Central possa aliviar a taxa Selic, que hoje inibe os negócios, especialmente os de bens de capital.”

Infraestrutura e confiança empresarial

A entidade reforça que a recuperação do mercado depende também de investimentos públicos e privados em infraestrutura logística — especialmente rodovias, que respondem pela maior parte do transporte de cargas no Brasil. “O setor de implementos é um termômetro da economia real. Quando há obras, obras de transporte, agronegócio forte e consumo crescente, o mercado reage. Mas com frete parado, juros altos e incerteza fiscal, o reflexo é imediato”, resumiu Sprícigo.

Mesmo com o recuo geral, o desempenho acima da média em outubro indica que a indústria pode estar se estabilizando após meses de desaceleração. Ainda assim, o setor segue em compasso de espera: de um lado, o segmento leve dá sinais de vigor; de outro, o pesado — ligado ao agronegócio e à infraestrutura — mostra que a retomada da confiança empresarial ainda está distante.

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